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Dia da Consciência Negra

Dia da Consciência Negra


Consciência Negra


Neste dia 20 de novembro tivemos o Dia da Consciência Negra. A proposta é refletir sobre o passado, presente e futuro.

Sobre o passado é lembrar do período de regime escravocrata, um tempo em que nós negros fomos desumanizados e reduzidos a uma sub-raça que só tinha valor por sua força de trabalho.

O presente denota que apesar do regime ter sido extinto em 1888, portanto há 132 anos, nossa sociedade ainda não oferece as mesmas oportunidades para negros e pardos, além do evidente racismo sentido todos os dias por esse grupo que representa 54% da população brasileira. Temos que lembrar que a “liberdade” do povo negro no Brasil se deu por força da “Lei Aurea” que não garantiu um processo de inclusão dessa população na sociedade. Estamos falando de acesso à educação, trabalho, moradia, saúde entre outros. Qualquer semelhança com as reivindicações feitas nessas eleições por pessoas que moram em comunidades vulneráveis não são mera coincidência, pois são estes, os negros, que predominantemente moram nesses lugares.  

As marcas dessa exclusão são evidentes. Só para ter uma noção, maior parte da população negra sequer termina o ensino médio. Como resultado da falta de qualificação os negros ocupam os postos mais baixos no mercados de trabalho. Por ter uma baixa renda o jeito é morar em condições precárias, para pelo menos ter um teto sobre a cabeça. Quanto a saneamento básico e saúde, que Deus ajude!

Como igreja, é necessário notar que é uma questão estrutural, e que todos nós estamos envolvidos nisso a despeito da cor nossa de pele. É um assunto incomodo, controverso, mas necessário.

Porém, nós, Igreja de Cristo, não podemos nos abster dessa discussão, que sim, gera muitos conflitos. Mas estes são necessários para a construção da tão sonhada igualdade bíblica.

Viver e imprimir a cultura do Reino do Deus na sociedade é nosso papel como igreja. O modelo de reino proposto por Paulo na carta aos Romanos, em que ele afirma que “o Reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz e na alegria no Espírito Santo” cabe muito bem em nossa reflexão.

No tocante a justiça, é preciso haver reparações históricas através de ações afirmativas em favor da população negra para alcançarmos igualdade de oportunidades. Numa sociedade onde todos tem acesso a condições dignas de sobrevivência e prosperidade, as relações são pacificadas e os ambientes são mais seguros para todos. Por fim, essa sociedade com toda certeza é mais feliz, mais alegre e cumpre de maneira mais completa, o ministério da reconciliação em Cristo. Essa condição, no entanto, só será alcançada através do Espírito Santo, e, portanto, nosso papel como igreja é fundamental nesse processo.

Esse texto está longe de esgotar esse assunto e talvez você tenha uma posição diferente da minha. Mas a proposta desse dia de consciência negra é justamente essa, refletir, expor as opiniões, conflitar e dialogar com vista a construção de um futuro melhor para todos. Com “Paz, justiça e alegria”.

 

Daniel Beltrão - Negro e pastor na YAH Church